Releituras do Cavalo Marinho – Abril, 2001
Segundo o pensamento de Rosane Almeida, organizadora do 1º Festival de Brincantes, todas as pessoas convidadas para se apresentar naquele sábado e participar do festival eram muito diferentes umas das outras, mas o que elas tinham em comum é que todas escolheram um “lugarzinho” pra ser feliz. Nesse sábado de tantas apresentações, o publico pode vivenciar um pouco desse lugar, onde a felicidade não se cabia.
Foi de fato um dia muito especial, marcado pelo encontro do tradicional com o novo.
Monique Franco e Sandro Fontes trouxeram o encontro do tradicional palhaço do circo com o Mateus, palhaço da cultura popular. Uma inusitada junção, onde o publico se deixava levar através do riso e da brincadeira, hora conduzidos pela cara preta de carvão, hora pelo nariz vermelho.
Ainda dentro do universo cômico do palhaço e do circo, o grupo La Mínima apresentou cena de seu mais recente espetáculo, “Rádio Variété”.
A Cia Mundu Rodá fez um recorte de seu trabalho de longa pesquisa acerca do cavalo-marinho trazendo cenas de seus espetáculos “Donzela Guerreira” e “Estrada”, dialogando com o universo da manifestação de forma lírica e vibrante.
A musicalidade dos ritmos brasileiros foram marcados pela apresentação do grupo “Ayer”, utilizando instrumentos inusitados como colheres, garrafas pet e a percussão corporal, mesclando sonoridades distintas e criando uma surpreendente experiência.
O ponto alto da noite foi marcado pela apresentação dos mestres de cavalo-marinho. Seja nas figuras carregadas de história mostradas por Agnaldo e Fabinho, na precisão dos movimentos improvisados de Hélder e Pedrinho Salustiano, ou seja ainda pela excelência das notas surgidas da rabeca de Luis Paixão no banco de cavalo-marinho.
O ponto alto da noite foi a apresentação dos mestres não apenas pela qualidade que executam as músicas, os textos e os passos do brinquedo que conhecem tão bem, mas principalmente por carregarem consigo esse “lugarzinho” para ser feliz. Um espaço presente nas relações e que pôde ser compartido com o publico de uma forma muito verdadeira, pelo simples prazer de dividir com o outro a celebração do encontro.
Sabryna Mato Grosso
Fotos: Silvia Machado
Cavalo Marinho – abril, 2011
“Quero ver queimar carvão
Quero ver carvão queimar
Quero ver levantar poeira
Quero ver poeira avoar!”
(toada de Cavalo Marinho)
Começou o 1º Festival de Brincantes! O módulo de Cavalo Marinho foi emocionante! Ao som da rabeca, a batida dos pés e do coração. Uma rica troca entre os mestres mostrando a força e a beleza da nossa cultura brasileira.

“Eu fico feliz com o Festival, porque a cultura popular muitas vezes é esquecida. E é tão contagiante, tão emocionante quando a gente vem de Recife pra São Paulo, e vê as turmas lotadas, com gente esperando pra participar. É a nossa cultura, é o nosso Brasil.” (mestre Pedro Salu)
Na abertura, foram apresentados alguns vídeos, mostrando a realidade dos mestres convidados para este primeiro momento do Festival. Assim, o público pôde conhecer um pouco da história de cada um e perceber a relação de suas vidas com o Cavalo Marinho.
“Eu comecei a tocar cavalo marinho com 15 anos, até hoje toco cavalo Marinho. Estou com 62 anos. Nasci em 1949. O Cavalo Marinho pra mim é uma vida.”
(Luiz Paixão, rabequeiro tradicional)
Contamos com a presença de Pedro Salu, Casa da Rabeca, do Mestre Salu – PE, Luiz Paixão rabequeiro tradicional da brincadeira de cavalo marinho – PE, Helder Vasconcelos dançarino e pesquisador das tradições do cavalo marinho, premiado pelo Rumos Itaú Cultural- 2009, Aguinaldo Silva mestre em cavalo marinho e Fabinho Soares, brincante do cavalo marinho Estrela de Ouro – PE. Essa junção de diferentes saberes formou um contexto de reelaboração cultural, que por meio dos conhecimentos tradicionais, possibilitou novas criações expressadas pelos mestres e por cada pessoa que participou das oficinas.
“Já fiz oficinas junto com outro mestre, mas com cinco pessoas foi a primeira vez. Deu muita experiência pra mim, apesar que há muito tempo estou no Cavalo Marinho, mas cada vez a gente aprende mais, e também vamos passando mais a nossa experiência pro povo. Até pros outros mestres também, a gente aprende com eles, eles aprendem com a gente.”
(mestre Aguinaldo Silva)
As oficinas são gratuitas, abertas para os alunos do Instituto Brincante, e também para o público em geral.
“É muito bom passar o nosso conhecimento, a nossa faculdade da vida. Contar a história do Cavalo Marinho, toda a parte teórica, explicando pra eles o que é o Cavalo Marinho e também a parte prática das danças, da música, do canto.”
(mestre Pedro Salu)
Para os participantes a experiência também foi muito especial:
“O contato com os mestres faz com que possamos refletir sobre o que significa “brincadeira” para eles e o quanto nós, brasileiros, temos um potencial criativo gigantesco, nas mais difíceis condições de vida e de acesso à informação. A formação de cada um depende do quanto levamos a sério e nos entregamos para nossas vivências, o quanto somos sinceros conosco e com o outro no que fazemos, foi isso que pudemos ver e sentir.”
(Piéra Cristine Varin, participante das oficinas de Cavalo Marinho)
”Eu acho o Festival muito interessante por vários motivos. Primeiro porque eu não tinha contato ainda com Cavalo Marinho, o meu primeiro contato foi na oficina. Outra coisa interessante é ver o corpo deles e a relação que eles têm com o brinquedo. É um corpo mais inclinado, tem um peso na mão. São coisas que na aula com o professor falando eu tenho um pouco mais de dificuldade de perceber. Então esse contato direto com eles cria uma outra relação com a dança. Sem contar que eles juntos brincando entre eles é muito gostoso. Eles brincam, tiram sarro um do outro o tempo todo, e você percebe que é tudo uma grande brincadeira. É fantástico também como as diferenças entre eles se completam.”
(Luana, participante das oficinas de Cavalo Marinho)
Os mestres também gostaram muito da troca e da participação de todos:
“Eu fico muito feliz pelo convite, por estar aqui, trazendo todo esse conhecimento que eu tenho e tive por esses grandes mestres, como meu pai, o mestre Salustiano. Eu aprendi muito com ele. E estar aqui em São Paulo mais uma vez, mostrando o meu conhecimento pra esses jovens é muito bom. Porque eles ficam emocionados, e nós professores ficamos também muito emocionados, pela dedicação, o interesse, e a força de vontade de fazer. Isso também é muito importante pra mim.”
(mestre Pedro Salu)
“O que eu vou levar daqui é saudades. Aqui tem uma turma muito boa, muito legal, estão indo muito bem. Cavalo Marinho tem que ter muita paixão. Ter amor por aquilo que ele faz. Então digo assim que eles se dediquem à dança, se interessem mais pela dança e que sejam felizes!”
(mestre Aguinaldo Silva)
Fotos Silvia Machado
1º Festival de Brincantes
Cavalo Marinho, maracatu rural e frevo: Diálogos e releituras contemporâneas!
De 07 de abril a 10 de julho de 2011
Oficinas Gratuitas – Debates – Espetáculos – Apresentações Musicais
O Instituto Brincante, com o apoio do Ministério da Cultura e patrocínio cultural da Chesf, promove de abril até julho de 2011, o Festival de Brincantes! O evento vai oferecer ao público oficinas culturais gratuitas de cavalo marinho, maracatu rural, frevo e releituras contemporâneas.
As aulas serão ministradas por mestres tradicionais de Recife (PE). Profissionais de diferentes gerações e ramificações artísticas coordenarão atividades e práticas voltadas ao público em geral. No primeiro mês (abril), o módulo Cavalo Marinho envolverá atividades, rodas de conversa e oficinas que serão conduzidas pelos artistas brincantes: Pedro Salu (Casa da Rabeca, do Mestre Salu – PE), Luiz Paixão (rabequeiro tradicional da brincadeira de cavalo marinho – PE), Helder Vasconcelos (dançarino e pesquisador das tradições do cavalo marinho, premiado pelo Rumos Itaú Cultural- 2009), Aguinaldo Silva (mestre em cavalo marinho) e Fabinho Soares (brincante do cavalo marinho Estrela de Ouro – PE).
Ainda em abril, no sábado (09), acontece um grande sarau de apresentação não só dos profissionais de Recife mas também de artistas convidados da cidade de São Paulo. São eles: Fernando e Domingos (Cia La Mínima – SP), Juliana e Alício (Cia Mundu Rodá – SP), Estevão Marques ( Ayer Música e Movimento- SP), Monique Franco ( atriz e dançarina – SP).
Durante toda a programação, o evento englobará palestras, debates, rodas de conversa, shows musicais, sambadas, apresentações de dança e exibição de espetáculos.
Serão quatro meses de intensa programação envolvendo as artes brasileiras na cidade de São Paulo. O Teatro Brincante, na Vila Madalena, será palco de toda essa efervescência cultural cuja essência valoriza e resgata novos valores para novos tempos.
Programação de Abril:
1 – Oficinas de Cavalo Marinho:
Detalhes: Aulas ministradas por Pedro Salu (Casa da Rabeca, do Mestre Ssalu – PE), Luiz Paixão (rabequeiro tradicional da brincadeira de cavalo marinho – PE), Helder Vasconcelos (dançarino e pesquisador das tradições do cavalo marinho, premiado pelo Rumos Itaú Cultural- 2009), Aguinaldo Silva (mestre em cavalo marinho) e Fabinho Soares (brincante do cavalo marinho Estrela de Ouro – PE).
Abertura: 07 de abril de 2011
Horário: 15h00 (abertos a todos os inscritos)
Data das Aulas: 08, 09 e 10 de abril de 2011
Horário da Turma I: 09h00 às 13h00 (somente para alunos do Brincante)
Horário da Turma II: 15h00 às 18h00 (público geral)
Inscrições: gratuitas – fazer com antecedência pelo e-mail festival@institutobrincante.org.br
2 – Apresentações dos Mestres de Cavalo Marinho (de Recife e São Paulo):
Detalhes: Artistas de Recife – Pedro Salu (Casa da Rabeca, do Mestre Ssalu – PE), Luiz Paixão (rabequeiro tradicional da brincadeira de cavalo marinho – PE), Helder Vasconcelos (dançarino e pesquisador das tradições do cavalo marinho, premiado pelo Rumos Itaú Cultural- 2009), Aguinaldo Silva (mestre em cavalo marinho) e Fabinho Soares (brincante do cavalo marinho Estrela de Ouro – PE). Artistas de São Paulo - Fernando e Domingos (Cia La Mínima – SP), Juliana e Alício (Cia Mundu Rodá – SP), Estevão Marques ( Ayer Música e Movimento- SP), Monique Franco ( atriz e dançarina – SP),
Dia: 09 de abril de 2011
Horário: 20h00
Ingressos: gratuitos (distribuídos com uma hora de antecedência – dois por pessoa)
3 – Sambada:
Detalhes: Festa de encerramento do primeiro módulo do Festival. Confraterninação entre artistas, mestres e alunos.
Dia: 10 de abril de 2011
Horário: 18h00
Entrada: franca
Serviço Geral:
Onde: Instituto Brincante – R. Purpurina, 428, Vila Madalena, SP
Quando: de 07 de abril a 10 de julho de 2011
Inscrições gratuitas para as oficinas: festival@institutobrincante.org.br
Aquisição de ingressos gratuitos: retirar na recepção do teatro uma hora antes das apresentações (até dois por pessoa).
Aquisição de ingressos pagos: à venda na bilheteria do teatro uma hora antes dos shows e espetáculos.
Telefone para contato: [11] 3816-0575

















